Dando seguimento às atividades do Seminário Nacional FNA de Arquitetura e Urbanismo em Porto Alegre, atividade que integra a programação do 49º Encontro Nacional dos Sindicatos de Arquitetos e Urbanistas (ENSA) – Eduardo Bimbi, a segunda mesa de debates desta sexta-feira (05/12) abordou “Formação política da sociedade, dos trabalhadores e do sindicalismo no novo mundo do trabalho frente às mudanças climáticas”.
Integrando o debate, que foi mediado pela presidente da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA), Andréa dos Santos, participaram o presidente da CUT/RS, Amarildo Cenci, o presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), Roberto Freire, e o assessor sindical da FNA, da VSS Assessoria Contábil, Valtuir Silveira.
Amarildo Cenci tratou sobre os desafios e as oportunidades para a arquitetura no século XXI, levando em consideração as mudanças no mundo do trabalho e a crise climática. Ser arquiteto é uma luta cotidiana. Eu tenho a impressão que a maioria dos arquitetos estão fora, tão submetidos a trabalhos precarizados, à pejotização, quanto outros trabalhadores brasileiros.”
Durante sua apresentação, o presidente da CUT/RS explicou que os arquitetos não projetam apenas edifícios, projetam modos de viver e morar, definindo padrões de consumo de energia, uso de materiais e sistemas de deslocamento urbano. “Por isso, os profissionais da arquitetura e seus campos adjacentes, como design e engenharia civil, serão determinantes para definir se o futuro será sustentável ou inviável. A responsabilidade é imensa. O potencial de transformação, também.”
Andréa falou sobre a necessidade de levar o trabalho do arquiteto e urbanista para a sociedade. “Precisamos fazer política e formação sindical para além dos nossos sindicatos. As centrais sindicais estão nos estados para isso.”
Roberto Freire abordou as possibilidades para mitigar as mudanças climáticas, afirmando que isso não será possível se não houver mudança na forma de trabalhar o tema. “Tem solução para as mudanças climáticas se soubermos que 30% da energia gerada no planeta vai ser, daqui alguns anos, para nuvem, big data. Isso não faz sentido. E a energia brasileira gerada é a menos poluente. Como vamos esperar que haja uma solução se não vamos mudar nada disso?”
Valtuir Silveira levantou o questionamento sobre o papel dos profissionais de Arquitetura e Urbanismo na proposição de projetos futuros, além do impacto do sindicalismo na sobrevivência das categorias. “Quando falamos em mundo do trabalho, quantos profissionais estão na informalidade? Isso é construir uma sociedade justa? Ou uma sociedade de pessoas que ajudaram na construção da precariedade? E será que apenas a categoria de arquitetos e urbanistas está sendo prejudicada?”
A programação do 49º ENSA segue nesta tarde de sexta-feira (05/12), na Sala João Neves da Fontoura, o Plenarinho, localizado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, além de atividades no sábado (06/12) e manhã de domingo (07/12).
O evento conta com patrocínio da Caixa Econômica Federal, apoio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS) e Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, por meio do gabinete da deputada estadual Stela Farias (PT).
Confira a programação completa aqui.
