O mercado capitalista que vem ditando os caminhos da construção é perigoso e conduz o planeta para uma arquitetura que irá nos matar. O alerta foi feito pelo o arquiteto e urbanista Filemon Tiago, na tarde desta sexta-feira (5/12) durante o 49º Encontro Nacional dos Sindicatos de Arquitetos e Urbanistas (ENSA), em Porto Alegre. Defensor de métodos construtivos milenares e fundamentada em bioinsumos, Tiago conclama os profissionais a defenderem uma arquitetura sustentável, preocupada com justiça climática. Temática que apresentou durante a COP30, em Belém (PA), onde também levou a Carta Manifesto assinada pelo coletivo Arquitetos pela Moradia, grupo que inclui a FNA. “Precisamos de uma arquitetura resiliente, que olhe para o trabalhador e valorize as pessoas e não apenas os produtos que consumimos”, salientou.
Posição também é defendida pela arquiteta e urbanista Cláudia Pires. “Se acredita em justiça climática, o cidadão tem compromisso em levar essa agenda pra frente. Afinal, os problemas que vivemos não impactam a todos igualmente”, ponderou, lembrando que são os mais pobres os mais atingidos pelas catástrofes climáticas decorrentes da destruição do planeta. “Não existe justiça climática sem assistência técnica e sem participação popular”. E, infelizmente, alertou ela, a população está passiva, alienada ao processo. “Falta envolvimento político na transformação das coisas. Precisamos aprender a reagir”.
Alinhado com a fala dos colegas, o coordenador de projeto do Internacional de Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM), Luiz Henrique Bugarelli Chaves, discorreu, durante seminário mediado pelo arquiteto e urbanista Raimundo Nonato, sobre as necessidades de repensar os diferentes usos do setor da construção e dos recursos do planeta. Citou a necessidade de reuso de materiais e redução de emissões e indicou as dificuldades do manejo em florestas nativas. “A certificação florestal deve ser prioridade da agenda econômica assim como o manejo florestal”, disse. A sugestão, citou ele, é que os arquitetos e urbanistas sejam agentes de uso consciente dos recursos do planeta: exigindo certificado florestal de cargas de madeiras e orientando sobre a segurança no trabalho e dos materiais empregados pelas equipes que operam com extração de pedras, por exemplo. “Precisamos atuar na regulamentação do setor de pedras e vetar o uso de materiais que adoecem essas comunidades”, sugeriu. E conclamou os sindicatos a agirem na defesa dos trabalhadores quanto ao estresse térmico, uso de EPI’s e condições de trabalho nesses processos. Citou como exemplo a extração de mármores e granitos que levam à contaminação dos profissionais com Sílica. “Hoje não existe uma regulamentação dessa questão dos trabalhadores. Mas a escolha dos materiais é tema dos arquitetos e isso indica que cadeias que vão se movimentar”, concluiu, alertando que cabe a todos cobrar medidas de certificação, monitoramento e fiscalização.
O evento conta com patrocínio da Caixa Econômica Federal, apoio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS) e Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, por meio do gabinete da deputada estadual Stela Farias (PT).
