Os profissionais de arquitetura e urbanismo são a luz e o futuro da emancipação da classe operária do Brasil. É pelas mãos desses profissionais, que as populações marginalizadas encontram sua força e voz. A posição foi defendida pelo Arquiteto e Urbanista do Ano, Lino Peres. Indicado pelo SASC para a honraria, o profissional gaúcho e com atuação em solo catarinense tem longa história de militância ao lado da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA). “Vale a pena lutar porque a gente faz brilhar o rosto. É essa arquitetura que acolhe e luta até o fim. E essa luta deve e vai continuar. Os trabalhadores têm classe, a arquitetura tem cor e tem gênero. Queremos ver a arquitetura cada vez mais plural.”
Gaúcho, natural de Rio Grande, Lino nunca sonhou em ser arquiteto. Tentou cursar Direito, Administração e foi até vendedor de enciclopédias. Mas foi por meio de um curso de artes que se encantou pela arquitetura. Mudou-se para Porto Alegre para estudar e, em 1977, concluiu a graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em 1986, obteve o título de Mestre em Arquitetura e em 1994, o de Doutor em Urbanismo pela Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM). Lino atuou em defesa do povo como docente, no movimento negro e junto ao Partido dos Trabalhadores (PT). Com o intuito de levar para a Câmara as demandas das populações de Florianópolis e combater o projeto de transformação da cidade em mera mercadoria, Lino foi vereador pelo PT, entre 2013 e 2020.
Durante a solenidade, também foi entregue o Prêmio FNA 2025 ao projeto Canteiro Experimental ArqViva, idealizado pelo bioarquiteto Filemon Tiago. A iniciativa nasceu com o propósito de construir uma creche comunitária para atender a Ocupação Urbana Alto da Boa Vista de Aparecida, em Goiânia (GO), por meio de parcerias e de um curso de bioconstrução aberto à comunidade e a estudantes de arquitetura e engenharias. Durante as atividades, a participação das crianças locais chamou a atenção dos organizadores, que decidiram ampliar o projeto. Passaram então, a desenvolver oficinas paralelas voltadas a elas, explorando de forma lúdica temas como o trabalho coletivo, a responsabilidade social, a representatividade, as questões ambientais ligadas à construção e o papel social do arquiteto.
Empolgado com as frutíferas trocas do 49º ENSA, Filemon Tiago reforça que o projeto parte do princípio da profissão de Arquitetura e Urbanismo. “Somos cientistas sociais. É dessa forma que pagamos o nosso aprendizado na faculdade: ensinando as pessoas que necessitam disso. Já rodamos o país com esse projeto, trocando saberes. Esse prêmio não é meu. É de uma galera que fez isso acontecer. São mãos, pés e almas envolvidas.”
A noite foi encerrada com homenagem ao arquiteto e urbanista, doutor em demografia, mestre em estruturas urbanas ambientais e professor universitário, Anderson Kazuo Nakano. A presidente da FNA, Andréa dos Santos, agradeceu a participação constante e apoio do docente. “Te agradecemos não apenas pela participação nos nossos eventos, mas pela tua dedicação na docência, na pesquisa, e em passar as informações para além das salas de aula. Isso é fazer o futuro.”
Kazuo, surpreso com a homenagem inesperada agradeceu o carinho. “Que surpresa! Essa noite de premiações foi linda. E eu me sinto honrado em fazer parte dos homenageados desta noite. Estou muito bem acompanhado.”
O evento conta com patrocínio da Caixa Econômica Federal, apoio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS) e Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, por meio do gabinete da deputada estadual Stela Farias (PT).
Foto: Carolina Jardine
