É difícil dizer qual vocação nasceu primeiro – se foi a arquitetura ou as artes que ganharam o apreço de Graça Vasconcelos. Integrante de uma família de oito irmãos e natural de Recife, Pernambuco (PE), formou-se em Arquitetura e Urbanismo no ano de 1976 pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Como a própria relembra, um dos norteadores para a escolha da profissão foi o seu interesse pela arte desde a infância.
A habilidade era estimulada pelos familiares e membros da comunidade escolar. Sempre que demonstrava apreço por atividades que envolviam desenho e pintura, Graça colhia bons frutos dos que estavam à sua volta, e esse incentivo alimentou o desejo de desenvolver e expôr as suas criações. “Lembro que, quando criança, eu olhava fascinada para cadernos de caricatura. Na escola, era chamada para desenhar no quadro. Quando adolescente, costumava desenhar colegas de classe e recebia esse carinho e retorno deles. O incentivo foi essencial”.
De forma concreta, o início da trajetória como artista veio quase que simultaneamente com o seu desenvolvimento como arquiteta. Graça conta que, durante o período acadêmico, tinha o ímpeto de desenhar tudo o que via nesse período. Na época, ela e seus colegas haviam começado a utilizar a técnica bico-de-pena. “Era fascinante trabalhar dessa maneira, transmitia essa sensação de liberdade”, lembrou.
De fato, a arquitetura e a arte mesclaram-se em sua vida, se tornando elementos complementares. Graça relata que nascer e crescer em um estado que transmite história e abriga imagens únicas corroborou para a carreira artística, contribuindo para a intenção de retratar esses cenários. Através de traços ágeis e paisagens muito coloridas, Graça reproduz a cultura viva de Pernambuco. A rede de familiares e amigos foi um pilar significativo durante toda a trajetória. Quando começou a pintar quadros com aquarela, foi incentivada pelos colegas do trabalho. A motivação transmitida pelas pessoas foi essencial para a arquiteta expôr suas diversas obras. Ela contou ter feito cerca de 15 exposições artísticas e comercializado 60 telas ao longo desse tempo. “Até hoje, sinto a importância dessas pessoas. Essa força que você recebe é primordial”, afirmou.
A profissional reforça a importância da melhora nas tecnologias, não apenas porque essa evolução aprimorou as técnicas artísticas utilizadas, mas também porque facilitou a divulgação do trabalho dos artistas. No período da pandemia, por exemplo, Graça começou a desenhar digitalmente e acompanhar mais as produções de outros profissionais.
Além da trajetória como arquiteta e artista, o setor público teve forte apelo na vida de Graça pois, mesmo trabalhando em diversos ramos da profissão desde a sua formação, foi na Prefeitura Municipal de Itamaracá, na década de 1980, em que ela encontrou um forte tópico que, posteriormente, tornou-se uma de suas lutas: direitos humanos. No período, Graça se aprofundou em temas relacionados à sustentabilidade, momento em que não se definia apenas como arquiteta e artista, mas também como ambientalista.
Atualmente, Graça Vasconcelos trabalha como Chefe de Divisão do Idoso na Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Juventude do Recife, pasta responsável pela política de direitos humanos e juventude, que inclui ações e programas dedicados à pessoa idosa. Graça reforça a pluralidade e a volatilidade do arquiteto pelas suas próprias experiências, destacando que o grande norteador de todo o percurso na arquitetura, arte e poder público é o amor e satisfação por essas atividades. “Amar esse processo de construção e planejamento é o que importa. Não vejo tudo isso como trabalho, mas como lazer”, afirmou.
