A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) participou, nos dias 6 e 7 de outubro, em Brasília, da reunião de lançamento e planejamento do projeto “Trabalho Decente nas Rotas de Integração Sul-Americana” 2026–2029, promovido pela Internacional dos Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM), em cooperação com o Centro de Solidariedade Sindical da Finlândia (SASK). A presidente da FNA, Andréa dos Santos, representou a entidade nas discussões e apresentou propostas para incorporar a dimensão urbana e territorial ao acompanhamento das grandes obras de infraestrutura.
O projeto reúne organizações afiliadas e parceiros institucionais para construir uma estratégia sindical de acompanhamento das cinco Rotas de Integração Sul-Americana, que envolvem aproximadamente 190 intervenções em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos, energia e infraestrutura digital. A programação incluiu discussões sobre planejamento, execução e monitoramento dos investimentos, além de direitos trabalhistas, saúde e segurança, proteção social e diálogo com os territórios afetados.
Durante sua intervenção, Andréa destacou que a defesa do trabalho decente passa por direitos, condições seguras de trabalho, valorização profissional e fortalecimento da organização sindical. Para a presidente da FNA, a discussão também precisa considerar os efeitos das obras sobre as cidades e as condições de vida da população. “Para a FNA, falar em trabalho decente significa defender direitos, condições seguras de trabalho, valorização profissional e respeito aos trabalhadores e trabalhadoras. E isso passa necessariamente pelo fortalecimento dos sindicatos, da organização dos trabalhadores e do diálogo social”, afirmou.
Entre os impactos que devem ser considerados estão as demandas por moradia, mobilidade, saneamento, infraestrutura e serviços públicos. A chegada de trabalhadores e a expansão das atividades econômicas podem pressionar a estrutura dos municípios envolvidos, tornando necessário antecipar necessidades e preparar os territórios.
Nesse contexto, a FNA defende a participação dos arquitetos e urbanistas tanto na realização das obras quanto no planejamento das cidades que receberão seus impactos. “Precisamos estar presentes tanto na realização dessas obras quanto no planejamento das cidades que irão receber e absorver seus impactos, antecipando demandas e preparando os territórios para essas transformações, com sustentabilidade e diálogo com as comunidades”, destacou Andréa.
A proposta apresentada pela Federação inclui o mapeamento dos sindicatos de arquitetos e urbanistas e das obras e municípios envolvidos nas rotas, além do levantamento de estudos já produzidos e das necessidades habitacionais e urbanas dos territórios. A FNA também pretende identificar a presença e as condições de atuação dos arquitetos e urbanistas nos investimentos, fortalecendo a discussão sobre valorização profissional e trabalho decente para a categoria.
Outra frente é a articulação com sindicatos, entidades profissionais, universidades, governos municipais e organizações sociais, além da aproximação com comunidades e movimentos de moradia e rurais. A intenção é acompanhar os territórios antes, durante e depois da implantação das obras e contribuir para que questões como habitação, infraestrutura, mobilidade, meio ambiente e uso do solo sejam consideradas no planejamento.
A iniciativa busca aproximar a agenda sindical do trabalho decente das pautas de direito à moradia, direito à cidade e planejamento territorial. Para a FNA, os investimentos em infraestrutura devem deixar resultados permanentes para trabalhadores e comunidades, além das obras físicas e dos corredores de circulação.
“Para a FNA, trabalho decente, valorização profissional e direito à cidade caminham juntos. A integração sul-americana precisa ser uma oportunidade não apenas de movimentar mercadorias e realizar grandes obras, mas de gerar trabalho digno, reduzir desigualdades e construir cidades mais justas e preparadas para o futuro”, concluiu Andréa.
Crédito: Marina Maria/ICM
