Onda de rejeitos atingiu 663 quilômetros de rios e devastou 1.469 hectares

A catástrofe socioambiental provocada pelo rompimento de barragem em Mariana (MG), há um mês (5/11), atingiu 663 quilômetros do Rio Doce e seus afluentes, com a destruição de 1.469 hectares de terras, aponta laudo técnico preliminar do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O cálculo da área atingida foi realizado com imagens de satélite. Os dados foram divulgados esta semana, durante reunião extraordinária do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, em Governador Valadares (MG).

 

Com data de 26 de novembro, o documento abrange áreas afetadas em Minas Gerais e no Espírito Santo. O volume total da barragem era de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração de ferro, e pelo menos 34 milhões de m³ foram lançados no meio ambiente. Segundo o laudo, das 251 edificações do subdistrito de Bento Rodrigues, em Mariana, 207 (82%) foram soterradas. A destruição de Áreas de Preservação Permanente (APP) ocorreu em 77 quilômetros de cursos d’água até o Rio do Carmo, em São Sebastião do Soberbo (MG).

 

“O nível de impacto foi tão profundo e perverso, ao longo de diversos estratos ecológicos, que é impossível estimar um prazo de retorno da fauna ao local, visando o reequilíbrio das espécies na bacia”, aponta o laudo. O laudo indica que a execução das medidas de reparação de danos, quando viáveis, durará pelo menos dez anos.

 

Das mais de 80 espécies que habitavam a bacia hidrográfica antes do desastre ambiental, 11 estavam ameaçadas de extinção e 12 eram exclusivas do rio. Ao longo do caminho percorrido pela lama, ao menos 1.249 pescadores foram afetados em mais de 40 cidades mineiras e capixabas.

 

>>> Veja o laudo técnico preliminar

 

Foram constatados danos ambientais e sociais diretos, tais como morte e desaparecimento de pessoas; isolamento de áreas habitadas; desalojamento de comunidades pela destruição de moradias e estruturas urbanas; fragmentação de habitats; destruição de áreas de preservação permanente e vegetação nativa; mortandade de animais de produção e impacto à produção rural e ao turismo, com interrupção de receita econômica; restrições à pesca; mortandade de animais domésticos; mortandade de fauna silvestre; dizimação de ictiofauna silvestre em período de defeso; dificuldade de geração de energia elétrica pelas hidrelétricas atingidas; alteração na qualidade e quantidade de água, bem como a suspensão de seus usos para as populações e a fauna, como abastecimento e dessedentação; além da sensação de perigo e desamparo da população em diversos níveis.

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