O reflexo das brincadeiras de casinha e da realidade doméstica de menina são partes intrínsecas de sua profissão. A construção e a montagem hoje são cerne da arquitetura e urbanismo nascidas com e para ela e seguem externados em seu caminhar. Claudia Elisa Poletto é arquiteta e urbanista pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), mestra pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mãe solo do Benício, de 12 anos.
A passagem por diferentes setores lhe deu a experiência e a riqueza de detalhes necessárias à área de pesquisa e desenvolvimento para habitação popular e direito à cidade, por meio da história e a arquitetura da cidade para fomentar oportunidades e ascender o debate sobre o papel social da arquitetura enquanto vice-presidente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas de Santa Catarina (SASC).
Natural de Chapecó, mudou-se para Blumenau aos 17 anos para cursar a graduação e, depois disso, nunca mais deixou de lutar pela garantia à moradia digna. Integrou o projeto de extensão Periferia Viva na comunidade Frei Damião junto à primeira turma de residência em Assistência Técnica em Habitação Social da UFSC. A ATHIS entrou em sua vida em um momento de renascimento profissional. Diante da decepção no mercado com a exploração imobiliária, passou a promover o acesso à arquitetura e urbanismo e o acompanhamento de um(a) profissional às obras, onde todo o conhecimento adquirido a tornou mestra em Assistência Técnica a promover o exercício da cidadania e o direito à cidade.
Através do trabalho de arquitetos e urbanistas junto aos movimentos sociais, e ao subsídio de programas estatais, foram possíveis as transformações do espaço e transformações sociais. Claudia vê as pessoas e comunidades como sujeitos políticos, permitindo o acesso à habitação como direito público e gratuito às famílias de baixa renda.
Seja na promoção de ações de subsídio ou na implementação de residências nas universidades e disciplinas ofertadas na graduação, a ATHIS é pauta da categoria à condição de debate político e isto se relaciona de forma direta com sua atuação no sindicato.
O papel do profissional de arquitetura e urbanismo dentro das entidades sindicais, além de afirmar e reforçar seu traço político, está na defesa dos interesses coletivos, sejam financeiros ou trabalhistas, do direito do trabalho a fim de mobilizar e conscientizar sobre o fortalecimento e união da categoria em momentos desafiadores, como os que se vive atualmente.
Sua caminhada na luta sindical, portanto, não para. Para ela, ser mulher em uma categoria profissional reconhecida e pavimentada por figuras femininas ainda requer o fomento a políticas afirmativas e de gênero que respaldem a carreira feminina, com direitos atrelados à maternidade, condições de trabalho adequadas à demanda múltipla que possuímos, a redução e flexibilização da jornada de trabalho e sobretudo, a igualdade salarial.
Claudia é mulher, arquiteta e urbanista, mãe e cidadã motivada pelo bem comum. Sob seus olhos e seus projetos vemos novos horizontes na construção de estado coletivo, e não individual, cuja busca pela igualdade social da categoria está sempre presente para firmar uma base para melhores condições de vida para todos e todas.