“Em última instância, o que define a vitória e a conquista de uma campanha salarial não é exatamente o ganho econômico. O que define é a consolidação do sindicato como um centro organizador da classe trabalhadora.” A afirmação do economista Maurício Mulinari sintetiza uma das principais reflexões apresentadas na palestra “Campanha Salarial: estratégia sindical para a negociação coletiva”, realizada nesta quinta-feira (30), durante a Reunião Anual do Conselho de Representantes (CR) da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA).
Segundo Mulinari, mestre e doutorando em Serviço Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com mais de 15 anos de atuação no movimento sindical, as campanhas precisam ser compreendidas para além da busca por reajustes financeiros. Para ele, esses processos são oportunidades valiosas para organizar os profissionais, fortalecer a representação sindical e mobilizar a categoria.
A presidente da FNA, Andréa dos Santos, abriu a atividade destacando a importância do debate para ampliar a capacidade de atuação dos sindicatos filiados e fortalecer a organização coletiva dos arquitetos e urbanistas. A palestra reuniu 33 participantes, entre representantes das entidades e integrantes da diretoria da Federação.
Durante a apresentação dos fundamentos da negociação coletiva, Mulinari destacou que toda campanha deve partir de uma análise da correlação de forças entre empregados e empregadores. Compreender as condições objetivas do cenário, estabelecer metas e organizar a base são etapas fundamentais para ampliar o poder de atuação dos sindicatos. “O principal papel de uma boa negociação não é apenas o ganho econômico. Ele é fundamental, claro, mas o principal é o ganho organizativo, político e de compreensão de mundo dos trabalhadores no seu processo de luta”, afirmou.
O economista também ressaltou a importância do planejamento estratégico, que deve envolver análise de conjuntura, levantamento de informações sobre o setor, definição de prioridades na pauta de reivindicações e preparação das ações a serem desenvolvidas ao longo da jornada.
Sobre a mobilização da categoria, Mulinari defendeu que a comunicação permanente e a construção de confiança entre os sindicatos e os representados são fatores decisivos. “Um trabalhador convicto sai à luta. Nenhum trabalhador vai à greve sem convicção”, frisou.
Após a exposição, os representantes dos sindicatos participaram de um momento de diálogo com o palestrante. Entre os temas debatidos, estiveram os desafios da organização sindical na arquitetura e urbanismo, os impactos da precarização das relações de trabalho e da “pejotização”, além da necessidade de fortalecer formas coletivas de mobilização. Mulinari alertou que a fragmentação sindical representa um obstáculo à negociação coletiva e defendeu a construção de campanhas capazes de articular diferentes grupos em torno de pautas comuns.
A Reunião Anual do Conselho de Representantes da FNA prossegue nesta sexta-feira (31), com a continuidade da Assembleia Geral. Na pauta, estão a discussão das proposições da gestão 2023/2025 e as definições sobre o 50º Encontro Nacional de Sindicatos de Arquitetos e Urbanistas (ENSA).
Confira a palestra na íntegra aqui.
