Curso de ATHIS conclui etapa em Santa Catarina e fortalece formação continuada com atuação em território

Foto: Maria da Graça Agostinho

A parceria entre a Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) e o Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas de Santa Catarina (SASC), concluiu, no fim de junho, a edição catarinense do curso ATHIS e Exercício Profissional: Arquitetura como ferramenta de transformação social. Realizada entre maio e junho, a formação teve carga horária de 80 horas e deve certificar 19 participantes entre arquitetos e urbanistas, estudantes e ouvintes. Contemplada pelo Prêmio Maria Elisa Meira de Formação Continuada, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), a iniciativa reuniu profissionais de diferentes regiões catarinenses em uma proposta que integrou teoria, prática e atuação em território.

“A mobilização da categoria é fundamental para fortalecer a implementação da ATHIS. Temos a intenção de ampliar essa iniciativa para outros estados, consolidando o curso como uma política permanente de educação continuada”, destacou a presidente da FNA, Andréa dos Santos. Desenvolvido pela Federação em parceria com seus sindicatos filiados, o curso teve sua primeira edição realizada no Rio Grande do Sul e sua segunda turma no estado de Santa Catarina, amplificando seu conteúdo a realidade local. A formação, mais do que apresentar estudos de caso, levou os participantes a acompanhar experiências concretas de assistência técnica, aproximando-os dos desafios e das potencialidades da atuação em territórios populares.

A primeira atividade presencial, realizada em 13 de junho, permitiu aos participantes conhecer iniciativas como o Periferia Viva SC, o Projeto Mulheres em Ação, a Residência ATHIS da UFSC, a Ocupação Elza Soares e o Projeto Casa de Mulheres. Para a professora e participante do curso, Cláudia Poletto, a experiência em território foi o principal diferencial da formação. “Agregar o território à formação profissional é dar forma à escuta e instrumentalizar a atuação. Normalizar a presença de arquitetas e arquitetos nas favelas e comunidades é contribuir para ampliar o acesso às políticas públicas. Esse é o grande legado dessa experiência”, aponta.

A arquiteta e urbanista Rita de Cássia Goeldner atua com ATHIS desde 2022 por meio do Projeto Casa de Mulheres e desenvolve ações na Comunidade Frei Damião desde 2025. Para ela, integrar o território à formação reforçou a importância da aproximação entre profissionais, comunidade e realidade local. “Levar os estudantes para vivenciarem a realidade das mulheres atendidas, conhecendo suas casas e as obras, evidenciou a importância desse contato prático. O curso fomentou debates potentes, trocas de experiências com outros municípios catarinenses e trouxe novas perspectivas para a área”.

Na 8ª aula do curso, em Florianópolis, a presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Santa Catarina, Anna Julia Rodrigues, conduziu o debate sobre direitos sociais, direito à moradia e trabalho digno. Já as professoras Karla Moroso, Joyce Osório e Luísa Lemos coordenaram atividades sobre formas de organização profissional, discutindo alternativas como escritórios e cooperativas para atuação em assistência técnica, organizando a discussão através do TABA, principal instrumento da FNA para discussão e informação adequada para a organização do arquiteto e urbanista trabalhador de ATHIS.

A etapa final da formação ocorreu nos dias 27 e 28 de junho, novamente na Comunidade Frei Damião. A partir dos levantamentos e diagnósticos desenvolvidos anteriormente pela Residência ATHIS da UFSC, os participantes aprofundaram a territorialização de dados, revisaram diretrizes e construíram coletivamente novas propostas para o território. Entre os temas debatidos estiveram a implementação das Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), densidade habitacional, Áreas de Preservação Permanente (APPs), saneamento básico, mobilidade urbana, corredores verdes, equipamentos públicos e economia local.

O encerramento foi marcado por uma roda de conversa sobre os desafios do exercício profissional e os aprendizados construídos ao longo da formação. Entre as avaliações dos participantes, destacou-se um consenso: os momentos presenciais e a vivência nos territórios são fundamentais para qualificar a atuação em ATHIS, fortalecer o trabalho coletivo e aproximar arquitetos e urbanistas das realidades das comunidades.

Para Flávio Luiz Alípio, presidente do SASC, a formação representa também a continuidade de uma trajetória de atuação em defesa da Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social em Santa Catarina. A experiência dialoga com projetos já desenvolvidos pelo sindicato em parceria com universidades, comunidades e organizações sociais, reforçando a importância da formação continuada para ampliar a implementação da ATHIS como política pública.

Foto: Maria da Graça Agostinho

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