Moradia é pilar de envelhecimento digno

Direito humano universal, a moradia é pilar de envelhecimento digno e fator determinante para a saúde da população. Apesar de essencial, sua diversidade reproduz a realidade socioeconômica brasileira e impõe à população inúmeras condições de envelhecer. “O país é heterogêneo. Há pessoas que envelhecem com oportunidades e outras que, a cada ano, acumulam vulnerabilidades e discriminações, que nasceram e morreram pensando no aluguel do mês seguinte”, frisou o secretário nacional do Direito da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva, durante palestra “O território para todos: Arquitetura e Urbanismo pela inclusão e combate a segregação espacial: da criança ao idoso”, no decorrer do seminário que abriu o 49º ENSA, em Porto Alegre (RS). A mesa, coordenada pela arquiteta e urbanista Valeska Peres Pinto, também contou com as arquitetas e urbanistas Cristina Brocca e Deonice Romero.

Silva reforçou a relação entre qualidade da moradia e saúde pública e citou áreas onde verificam-se epidemias de demência. “Sabemos que a demência está associada à violação de direitos humanos e condições socioeconômicas precárias. Sem casa não tem segurança. O envelhecimento no Brasil é heterogêneo e desigual”, pontuou.

O Brasil tem hoje 35,5 milhões de idosos, 16,6% da população, índice que varia muito de acordo com a região do país. Atender aos anseios dessas pessoas em diferentes cenários é complexo e não depende apenas do governo. “Precisamos pensar na múltipla velhice. Não adianta esperar apenas pelo governo. Os problemas são complexos e incluem não apenas a saúde, mas acessibilidade, educação, mobilidade”, disse, lembrando que avanços dependem de emendas parlamentares e novos projetos como o “Envelhecer nos territórios”, que busca qualificar os espaços para a sociedade.

A importância de os profissionais pensarem a acessibilidade e adotarem ações técnicas de inclusão para idosos e pessoas com deficiência foi foco da apresentação da arquiteta e urbanista Cristina Brocca. Com a experiência de quem trabalha há 23 anos com acessibilidade, ela trouxe exemplos concretos que expõem os desafios dos transeuntes no dia a dia nas ruas de Porto Alegre (RS). “Acessibilidade bem feita é para todos”, disparou, lembrando que se existem leis que tratam do tema e que precisam ser cumpridas.

A arquiteta, urbanista e presidente do Saergs, Deonice Romero, relatou sua experiência com regularização de imóveis e com a adaptação dos ambientes para o uso de idosos. “Há um grande número de imóveis adaptados, alguns para abrigar residenciais geriátricos, por exemplo. A diferença social desses locais é muito grande. Encontramos problemas de acessibilidade, como diferença de nível, piso diferente, problemas de saneamento”, citou, lembrando do papel social dos profissionais de arquitetura e urbanismo em solucionar essas questões. “Já ouvi de colegas que regularização não é arquitetura. Mas a gente está trabalhando para um outro público, que é a maioria”, salientou Deonice. E citou que o Saergs está com inscrições abertas para curso “Acessibilidade, Arquitetura Inclusiva e Direitos Humanos”, projeto gratuito que será realizado de forma virtual de 8 a 11 de dezembro.


Foto: Carolina Jardine

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